quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dos avós


Ontem foi o Dia dos Avós e infelizmente eu já não tenho avós. Nem maternos nem paternos. O mais-que-tudo está na mesma situação, sem avós. Para compensar, o meu Rafinha tem os seus quatro avós de boa saúde. 

Do lado do meu rapaz, os avós já estão reformados, mas vivem numa terra mais afastada. Do meu lado, quer a minha mãe quer o meu pai ainda trabalham e ainda têm uns bons dez anos de trabalho pela frente.

É triste. Eu já não fui mãe nova, acho que 28 anos é uma idade perfeitamente razoável para se ser mãe (apesar de reconhecer que a maioria dos novos pais já estão nos trinta...). No entanto, o meu filho nunca vai poder ter aquilo que eu tive: uma avó sempre em casa. O lado materno da minha família viveu muitos anos junto. Eu cresci - até aos 12 anos - numa casa grande, com os meus pais, os meus irmãos, os meus tios e a minha avó materna. Nunca conheci o meu avô materno, mas toda a gente diz que eu sou muito parecida com ele no que toca ao feitio. 

Crescer numa casa onde vive a tua família mais próxima é uma verdadeira bênção. Ter uma tia e uma avó sempre presentes (enquanto os meus pais trabalhavam) foi a maior sorte que eu e os meus irmãos podíamos ter tido. Tínhamos sempre companhia. Preparavam-nos o pequeno-almoço, o almoço, o lanche - enquanto víamos o Dartacão e o Songoku. Cuidavam de nós quando estávamos doentes. Iam connosco à praia, à cidade, onde fosse preciso. 

A minha avó chegou a levar-nos ao infantário (a meio tempo) dentro de um carrinho de mão e, apesar de essas coisas hoje em dia serem mal vistas, para nós certamente que representam uma bonita memória. A minha avó ia deitar-nos, nós fingíamos que adormecíamos... e, mal ela adormecia no nosso meio, nós abríamos os olhos e começávamos a fazer asneiras. Se ralhava connosco, nunca era muito convincente, pois não tenho grandes memórias dela a ralhar comigo e com a minha irmã.

Tenho mesmo pena que, hoje em dia, as crianças não possam ser acompanhadas pelos avós, mesmo que os avós vivam perto... pois os avós ainda trabalham. A idade da reforma sobe cada vez mais e as novas gerações perdem em qualidade de vida na infância. Eu ainda tive muita sorte. Tive a melhor infância de todas, sempre rodeada de amor.

41 comentários:

  1. Viver com tanta família na mesma casa faz-me confusão.

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    1. Acredite que é uma alegria. Eu adorei e acho mesmo bonito!! Entendo que algumas pessoas podem achar que falta privacidade... mas a casa era/é bastante grande e cada casal tinha a sua privacidade - no fundo, dois casais, meus mais e meus tios. Uma alegria!

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  2. Tiveste uma infância privilegiada. :) Isso é muito bom e vai certamente manifestar-se na tua forma de educar o teu filho. :P

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  3. POis, já foi tempo em que se vivia com os avós até eles partirem. Infelizmente, hoje, nós não iremos conseguir ser avós, a tempo inteiro, para os nossos possíveis netos, pois o tempo de trabalho vai quase até aos 70 anos, nem ter os nossos pais em casa até ao fim das vidas deles pois tb não há tempo para cuidar, devido à nossa ausência pq ainda trabalhamos.

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  4. O meu filho é um sortudo :-)
    Eu sempre vivi muito longe dos meus avós, tanto dos maternos com dos paternos. Ao contrário do meu filho que tem todos aqui pertinho. E para além disso, como a minha mãe não trabalha, ela fica com ele enquanto eu trabalho. Será assim até ir para o Jardim Escola <3 Não sei como lhe agradecer por isto <3
    E é tão bom ver o amor que ele tem pela avó e pelo avô <3 aliás, dá mais ouvidos ao avô que a qualquer outra pessoa e é a ele que dá mais beijinho mas é à avó que corre quando tem fome e sono e quer brincar e ir à rua ahahahah

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  5. Mãe tarde a9s 28 lol. Eu tenho 30 e não perspectivo filhos tão cedo.

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    1. Há uma grande diferença entre dizer "não fui mãe nova" e dizer que fui mãe tarde. Aprenda a ler... ou não seja tão rápida nas críticas. :D

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    2. Ora, nao sou a anonima, mas se nao foi mae nova e porque foi mae tarde, nao ha para onde correr, quem ler vai muito provavelmente entender isso, o oposto de cedo e tarde. Acho tambem anonima nao foi rispida, um lol mais tenho 30 e nao perspectivo filhos tao cedo e ser rispido agora? hahaha. Boa! Eu acho 28 cedo para os padroes de hoje em dia, mas nao fossem as pessoas tendo filhos depois dos 30 agora na maior parte dos casos eu nao acharia 28 cedo, pelo contrario. De forma que concordo nesta parte. Lucia.

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    3. Lúcia, desculpe mas o facto de eu dizer "não cheguei tarde" não significa "cheguei cedo". Não há branco e preto, neste caso. Eu acho 28 anos perfeitamente normal, embora saiba que nos dias de hoje a maioria dos casais têm um filho mais tarde... mãe nova, diria eu, seria se o tivesse sido com 20 anos. Mas ei, cada um sabe de si! Eu sou independente há 7 anos, para mim é perfeitamente normal ser mãe aos 28. :)

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    4. Mãe nova seria se tivesse 16 anos. Mãe tarde, se tivesse uns 39/40.

      Que complicadinhas. Não foi mãe nova, não é nenhuma miúdinha. Mas não foi tarde! Foi mãe numa fase perfeitamente normal e comum para tal.

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  6. Tive uma infância parecida com a tua: os meus pais ficaram a morar na mesma casa que a minha avó materna e o meu tio. Os meus avós e tios paternos viviam no mesmo prédio que eu. Sempre tive família muito perto e adorei cada bocadinho da minha infância.
    Agora com o Tiago, faço sempre todos os esforços para que ele cresça rodeado do mesmo amor. Passa férias com os avós, vai em passeios com os tios, reunimos sempre que possível a família. Os meus pais ainda trabalham e moram a meia hora de distância da minha casa. Os meus sogros moram mesmo ao lado, já não trabalham e são uma ajuda preciosa, mas ainda assim têm as suas vidas, os seus compromissos e, por isso, o Tiago está na creche. De qualquer forma, sempre que podem, lá vão eles buscar o piolho mais cedo.
    E isso é mesmo o melhor que eu lhe posso dar: família, amor, avós e tios e primos sempre presentes. As melhores memórias de uma infância feliz. Como a que eu tive :)

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  7. Eu adorei crescer com os meus avós. E, felizmente, as minhas filhas também.

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  8. Pois eu também conheci todos os meus avós embora já não tenha nenhum, mas embora fosse presença assidua na casa deles nunca os ví como cuidadores nem gostaria de viver na mesma casa que eles. Sempre gostei muito da minha familia nuclear (pais), da nossa casa e do tempo que tinhamos só para nós e para criarmos e desenvolvermos a "nossa" familia. Ah e os meus pais nunca permitiram que nenhum dos avós interferisse o que quer que fosse na minha educação ou na forma deles agirem ou pensarem sobre mim.

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    1. Anónimo, respeitando a sua opinião... não entendo muito bem o que tem a ver com o meu post. Nunca viu os seus avós como cuidadores nem gostaria de viver na mesma casa que eles? Parece-me algo brusco dizer tal coisa, se nunca teve essa experiência. Eu achei lindo e, hoje em dia, posso dizer que não conheço família mais unida que a minha. Somos poucos, mas muito fortes, e eu fico mesmo feliz por termos vivido juntos até eu ter 12 anos. A minha avó já era viúva quando surgiram os netos e os meus pais gostaram que ela pudesse acompanhar sempre os netos. Se isso não é bonito, não sei o que bonito significa. :)

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    2. Simples, acho que cada familia deve ter o seu espaço, não incluindo casos de pessoas de idade que não possam morar sozinhas. O resto acho gente a mais e vida a mais em comum e falo por experiencia própria que o meu primeiro casamento ao fim de 3 anos acabou em divórcio porque o meu ex-marido quis ficar a morar em casa dos meus pais...simplesmente eu sentia-me sufocada porque não conseguia ter o meu espaço, a minha vida e a minha independencia.

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    3. Cada família deve ter o seu espaço? Desculpe, mas para mim pais, avós, tios, é tudo família. A mim parece-me é errado deixar idosos a viver sozinhos quando se pode zelar por eles. :) Mas cada um sabe de si... não disse a ninguém para fazer igual.

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    4. São familia alargada não são familia nuclear...familia nuclear é pai, mãe e filhos

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  9. Foste mãe nova querida. Não se comparares com a geração dos nossos pais, mas a de hoje é-o muito mais tarde.
    De resto, eu tive uma relação maravilhosa com a minha avó materna que vivia a quase 300km de distância de mim. Entre ela vir para a nossa casa ou eu ir passar férias com ela no meu alentejo, digo sempre que foram os tempos mais felizes e serenos da minha infância.

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    1. Bárbara, como referi no texto, sei bem que a maioria dos casais são pais a partir dos trinta anos... mas daí a achar que ser mãe aos 28 é ser mãe nova, vai uma grande diferença. :)

      De resto, fico mesmo feliz quando vejo pessoas tão ligadas aos avós!

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    2. Desculpem intrometer-me, mas a questão das gerações é sempre relativa. A minha avó materna foi mãe pela primeira vez aos 29 anos (da minha mãe) e a minha avó paterna foi mãe pela primeira vez aos 25 anos (do meu tio mais velho) e aos 42 anos do meu pai. Eu tive a sorte de crescer com ambas as avós. Sei que elas não eram o exemplo mais comum da geração delas, mas isto só para vos mostrar a relatividade desta questão :)

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  10. kuku S*! nhumm penso como tu.. eu cresci com os meus avos! Mas ainda não fui mãe, qdo o for..espero que estejam todos de boa saúde! :D

    Está tudo bem?? com o rebento?

    bacci

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    1. Que comentário parvo para um post sobre Amor.

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  12. Eu também já não tenho avós (desde os 21 anos), mas felizmente tive a sorte de ter uma relação próxima com todos eles. Apesar de morarmos bastante longe, compreendo perfeitamente esse teu sentimento. Durante vários anos uns primos (3 no total, todos em alturas diferentes) viveram connosco (meus pais e irmã) e eu adorei! Adorei ter a casa cheia de gente e sempre desejei construir uma família grande e ter muitos filhos, veremos :)

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  13. Que delicia de memórias! <3 E não acho que sejas uma mãe "velha"! Acho que tem de acontecer quando tem de acontecer ;)

    Como está o príncipe?? <3

    Um beijinho dourado,

    Catarina

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    1. Catarina, cada vez mais arrebitado e curioso!!

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  14. Já eu tive muita sorte: nasci com os 4 avós vivos e com quase todos os bisavós também, para além de uma série de tias-bisavós. :)

    Adoro os meus avós, passei grandes Verões com eles e eram visita frequente ao fim-de-semana (e tenho imensas saudades deles agora que vivo longe) mas não consigo imaginar tanta a gente a viver debaixo do mesmo tecto. É como se agora eu, o Jack, o meu irmão, uma futura mulher dele, a minha filha e futuros sobrinhos vivêssemos todos na mesma casa que os nossos pais. Acho que logo à partida me faria confusão a falta de intimidade, de espaço e tempo para estar sozinho, para refeições a dois, e muitas vozes a educar as crianças presentes...Não sei, acho que não resultaria. :)
    E tu vês-te a viver com o teu companheiro, o Rafael, a tua irmã, o marido, o Miguel, o teu irmão (mais mulher e filhos?) a viver com a tua mãe? :) (num cenário hipotético claro, imagino que não estejam a planear todos isso para o futuro).

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    1. Tété, perfeitamente. Lamento sinceramente que tanta gente tenha ficado "fixada" nessa parte do texto. Não entendo lá muito bem a confusão que faz a tanta gente a ideia de 8 pessoas (éramos oito) a viverem juntas. Ahah. Eu adoraria poder fazê-lo, mas o meu companheiro não pensa igual, por exemplo. Por mim e pela minha irmã, certamente que até o faríamos - até porque crescemos assim e nunca vimos problemas entre ninguém. Isso tem muito a ver com o feitio de cada um e a minha avó era a mulher mais educada, recatada e respeitadora que podia haver. Nunca se meteu onde não era chamada, por assim dizer. Agora se os familiares forem metediços ou cuscos, é outra coisa... na minha família não houve esse problema e eu acharia até bastante bonito partilhar casa com a minha irmã, sim. :)

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    2. Acho que é por ser uma realidade diferente, isso chama a atenção das pessoas. :)
      Eu cresci muito com a ideia que há coisas que não se partilham (por exemplo, não discuto com o Jack à frente de outras pessoas, nem mesmo os meus pais), o que seria complicado se vivêssemos todos juntos. :) Acho que não consigo imaginar a logística da coisa (por exemplo, nós gostamos de jantar a ver séries. Nada dava para fazer isso se vivêssemos com mais pessoas. :D ). E depois se pensar que em vez de viver com os meus pais, poderia ser com os meus sogros...Não mesmo. :P Damo-nos bem exactamente porque não vivemos juntos, ahah. :D
      Mas lá está, acho que a maneira como crescemos nos dá outra ideia. Como essa foi a tua realidade parece-me normal que te vejas a fazer o mesmo. :)
      Por aqui, os avós gostam do canto deles, da sua casinha. Mesmo as minhas tias-bisavós viviam cada uma na sua casinha mas com um quintal partilhado entre todas. Viver na mesma casa é que não. :D
      Já a minha avó diz mesmo que um dos dias mais felizes da vida dela foi quando as filhas saíram de casa porque isso significava que estavam a conseguir fazer-se à vida. E para a minha mãe ver os filhos saírem de casa dá-lhe o mesmo sentimento de realização por isso suponho que seja mesmo feitio. :D

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  15. Concordo bastante com o que escreves... E hoje em dia, quando os avós ficam em casa na reforma, recebem tão miseravelmente que têm de continuar a trabalhar...
    :/ beijinho

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  16. Eu sempre estive perto dos meus avós, mas não tenho grande ligação com eles e tb n sei se ia gostar mt de viver na mesma casa. A minha avó materna tinha mt a mania de se meter na forma cm os meus pais nos educavam e eles n achavam piada nenhuma :p já o meu filho viveu cmg na casa dos meus pais até aos 4 anos e agr, cm a mnh mãe n trabalha, passa mt tempo em casa deles e, por vontade dele, acho q se mudava pra lá outra vez :p

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  17. Eu não conheci o pai da minha mãe, e os restantes avós partiram todos demasiado cedo (tinha eu cinco/seis anos).
    Agora tenho os avós do meu marido que me tratam com uma verdadeira neta e é muito bom! :)

    Já não foste mãe nova? Aos 28 anos? *BUUUUUUUUUUUUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA*
    AAAAAHHHHHHHH, que depressão! Eu estou nos trinta, quase!!!!! e a minha mãe diz-me todos os dias que estou super atrasada, portanto devo concluir que estou MES-MO atrasada... E que já não sou nada nova! ;)

    A Marta

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    1. Marta, eu não fui mãe com 18 anos. Fui mãe em boa idade. Assim como tu serás mãe em boa idade se o fores aos 30, 33, 35... penso eu que nenhuma de nós é jovem, inconsciente ou dependente. A idade tem mais a ver com a postura de vida do que com o BI. ;)

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    2. Concordo! :) Estava apenas a brincar. *

      A Marta

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  18. Os tempos mudaram, é um facto.
    No dia dos Avós também liguei à minha querida e linda Avó. :)

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    1. É verdade, os tempos mudam, só se ouve falar do "Dia dos Avós" há 3 ou 4 anos para cá e para comércio que até ai nunca houve dia dia dos avós nenhum.

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  19. ♥ o meu avô levava-me e ia buscar-me ao infantário (também só lá andei uns tempos) numa bicicleta com dois celins :) era o máximo. Já a minha avó entupia-me com ovos kinder ahahah acredito que temos muito mais recordações da nossa infância do que as crianças de hoje alguma vez vão ter!

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  20. Revejo-me totalmente... A minha infância foi assim, com a avó muito presente (mas em casa dela), incluindo Dartacão, Songuku e tantos outros, tudo parecido ao que descreves, e com os meus amigos era igual. Infelizmente, essa proximidade extrema foi coisa que ficou nesses tempos - a não ser que nos mudemos para meios mais rurais - mas também é sinal de evolução... Quer dizer que as nossas mães agora são independentes e não vivem apenas para se dedicar ao lar. E isso não implica que sejam avós ausentes :)

    Como em tudo, há desvantagens em cada progresso e neste caso perde-se muito em termos de aprendizagens de afeto, respeito e empatia, mas também até que ponto as crianças não estariam agora agarradas ao tablet em vez de desfrutarem dessa companhia valiosa que é a dos avós? Tudo mudou...

    Muitos "se's" daria para pensarmos neste tema, mas não vale a pena, é o que é, e teremos de viver os "novos tempos" da melhor forma possível :) que bom o Rafinha ter essa família tão unida, olha que isso já é de enorme valor (quem me dera...). Beijinhos para vocês!

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  21. Como te compreendo, também sou do tempo em que os meus avós me levavam a escola 😊

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  22. Vai para aí tanto comentário triste...que sorte nós tivemos por partilhar casa com os avós :') nunca senti falta de privacidade nem de nada. Fui uma mimada e tão mas tão amada. Se escolhesse, escolhia igual.

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